Conto - A baleia, por João Francisco Santos da Silva


Sábado no Blog do Alex Fraga é dia de artigo com o médico clínico geral, acupunturista e escritor de Campo Grande (MS), João Francisco Santos da Silva, com "A baleia".
A baleia
A desconhecida, de longe, chamou a atenção. Um vulto escuro fazendo espuma, movendo-se sobre a água, na linha do horizonte. Ela quase disse: “Estou aqui. Querem vir me ver?” O truque da espuma funcionou como chamariz. Alguém, mais atento, dentro do barquinho de turistas, gritou, apontando para sua direção: “Olha lá! Uma baleia!”
Admiração manifestada por suspiros e vários “Ohs!”. Só não bateram palmas porque suas mãos seguravam celulares, ávidos por imagens. A amostrada gostou do efeito inicial que provocou. Plateia seleta de sete turistas e um barqueiro. Todos boquiabertos pelo inesperado espetáculo.
Com a aproximação do barco, ela começou o seu repertório de truques e encantamentos. Performática, ela sabia criar suspense e prender a atenção do público. Para começar o show, uma meia elevação sobre a água. Emergiu parte do corpo, mostrando dois olhos que, naquela enorme cabeça, pareciam dois pontinhos brilhantes.
Depois submergiu, desaparecendo. Durante algum tempo indeterminado, os olhares dos oito tripulantes e as câmeras de seus celulares permaneceram em prontidão. Todos na expectativa de onde e quando ela reapareceria, ou se reapareceria.
Novamente ela emergiu da água em um grande salto. Desta vez, de corpo inteiro. Causou mais alvoroço, gritos e fotos. Não sei se jubartes têm boa audição, mas ela pareceu compreender que todos ali lhe pediam bis, tris ou mais retornos ao palco. E lá veio ela de novo. Outro salto de corpo inteiro. Agora, modificando a coreografia, mergulhou de cabeça e fez questão de bater o rabo na água. A rabada fez a água subir às alturas. Seguindo sua apresentação, em outro salto, talvez chegando ao ápice de sua performance, girou 180° e caiu de costas no mar.
Foram muitos mergulhos, saltos, giros e rabadas. Sem explicação, o tempo pareceu ter parado junto com o barco de turistas para observar a baleia. Quinze minutos, meia hora, sabe-se lá quanto durou a magia. Foi um espetáculo completo da jubarte itinerante que, além de dançarina, também era cantora. De voz um pouco rouca, mas poderosa:





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