Arte - Exposição transforma cicatrizes da cidade em matéria para a arte
- Alex Fraga

- há 5 horas
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Artistas Gisele Della Barba e Fernando Anghinoni partem das marcas deixadas pelo tempo na paisagem urbana para discutir memória, patrimônio e transformação
Uma parede desgastada, uma construção modificada, uma marca deixada pelo tempo. Elementos que normalmente passam despercebidos na paisagem urbana podem ganhar outro significado quando vistos a partir da arte. É dessa mudança de perspectiva que parte “Fragmentos e Cicatrizes da Arquitetura Urbana”, exposição de Gisele Della Barba e Fernando Anghinoni que abre nesta terça-feira (1º), às 19h, na Galeria de Vidro, em Campo Grande.
A mostra reúne trabalhos que têm a cidade como território de observação. Mais do que apresentar uma representação convencional da arquitetura, os artistas procuram nas superfícies urbanas sinais de passagem, transformação e memória. O título da exposição funciona como uma espécie de chave de leitura. A palavra “cicatriz” remete a uma marca que permanece depois de uma transformação. Aplicada à arquitetura, ela desloca a atenção para aquilo que sobrevive às mudanças: vestígios de construções, intervenções, desgastes e alterações que ajudam a contar a história de um lugar.
A cidade, nesse sentido, deixa de ser apenas cenário. Torna-se documento.
Para Gisele Della Barba, as chamadas “cicatrizes urbanas” também podem ser entendidas como espaços de criação. São marcas que, embora muitas vezes associadas à deterioração ou ao abandono, carregam possibilidades de interpretação e podem provocar novas maneiras de enxergar o ambiente cotidiano.
A perspectiva de Fernando Anghinoni amplia essa discussão ao aproximar arquitetura e cultura. A exposição procura provocar o público a reconhecer nos espaços que fazem parte de sua rotina referências que nem sempre são percebidas. O artista define a proposta como um “convite provocador”, especialmente pela relação entre arte, memória e valorização do patrimônio histórico.
A questão ganha particular interesse em uma cidade marcada por sucessivas transformações urbanas. Entre demolições, reformas, novas construções e mudanças de uso, parte da memória arquitetônica desaparece ou é alterada antes mesmo de ser reconhecida como patrimônio. É nesse intervalo entre o que permanece e o que desaparece que a exposição parece se situar.
Ao levar fragmentos da paisagem para o campo das artes visuais, Gisele Della Barba e Fernando Anghinoni propõem uma espécie de exercício de atenção. O visitante é convidado a olhar novamente para aquilo que conhece — não necessariamente para descobrir uma cidade diferente, mas para perceber a cidade que já estava ali. A exposição também coloca em discussão uma ideia recorrente no debate sobre patrimônio: preservar não significa apenas conservar edifícios considerados históricos. A memória urbana pode estar igualmente presente em detalhes aparentemente banais, nas marcas acumuladas pelas construções e nas alterações que registram diferentes momentos da vida de uma cidade.
“Fragmentos e Cicatrizes da Arquitetura Urbana” pode ser lida, portanto, como uma exposição sobre arquitetura, mas também sobre esquecimento. Sobre o que a cidade escolhe preservar, aquilo que deixa desaparecer e as marcas que continuam existindo mesmo quando ninguém mais se detém diante delas.
A visitação é gratuita e segue até 13 de setembro.
Serviço
“Fragmentos e Cicatrizes da Arquitetura Urbana”Artistas: Gisele Della Barba e Fernando Anghinon
iAbertura: 1º de setembro, às 19h
Visitação: 2 a 13 de setembro
Horários: segunda a sexta, das 8h às 20h; sábado, das 8h às 12h
Local: Galeria de Vidro
Endereço: Avenida Calógeras, 3015, Centro, Campo Grande
Entrada: gratuita e sem necessidade de agendamento
Classificação: livre





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