• Alex Fraga

Arte – Artista visual tem obra censurada pelo MPE em Dourados

Parece algo surreal. Em pleno ano de 2020 uma artista visual douradense teve sua obra censura pelo Ministério Público Estadual. Gislene Brandão já tem um trabalho reconhecido na sua cidade natal, Dourados (MS) e dedica à arte urbana usando técnicas e ferramentas mistas desde grafite a pinturas convencionais em muros e fachadas. Ela recentemente foi convidada pelas empresárias da Loja Lap - Empoderamento Sexual, (comércio de sexy shop), para realizar uma ilustração do órgão genital feminino vulva, como forma de representar na arte o fim da repressão e tabus sexuais.


A vulva foi feita na fachada da loja, que fica localizada na Rua Weimar Gonçalves Torres, nº 2752. A obra foi realizada, sendo a vulva um personagem, de forma lúdica, delicada e desmistificadora. Sem intuito de “erotizar” o órgão e de ofensa à sociedade. A polêmica recorrente a obra foi tanta que o MPE notificou as proprietárias da loja alegando que a obra é ofensiva, desrespeitosa e a arte terá que ser apagada.


A artista enfatizou ao Blog do Alex Fraga que a sexualidade humana é uma temática antiga da arte que a explora em diferentes formatos, sendo comum, e havendo obras desse teor em todo o mundo. “A arte tem esse poder de causar reflexões, sensações e olhares diferentes. O intuito dessa obra é mostrar para sociedade a importância e representatividade dessa imagem, que demonstra o empoderamento feminino, a liberdade, conquistas e conhecimento do próprio corpo. Busco expressar em meus trabalhos e questões sociais, como também a exaltação das etnias indígenas, sua beleza e cultura; a natureza, principalmente espécies e pássaros do Mato Grosso Sul; e rostos femininos, com representação de sua força e delicadeza”.



A censura da obra de Gislene Brandão pelo MPE, que vive e mantém sua família com a arte, lembra a época do regime militar, pois a repressão à produção cultural perseguiu qualquer ideia que pudesse ser interpretada como contrária às do governo – e vira e mexe incluíam aí canções bregas, quadros, poemas que não tinham conteúdo diretamente político. Uma triste realidade e que deve ser revista já que não estamos na época de se explicar aos censores.

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